quarta-feira, 28 de abril de 2010

PROPOSTA CURRICULAR DE ENSINO RELIGIOSO NA EJAI!


1. Introdução
O Ensino Religioso nas escolas tem sido nos últimos anos, motivo de acirrado debate, principalmente nas escolas públicas. Será importante a presença de uma disciplina assim no currículo escolar? Se entendermos a religiosidade como uma das dimensões humanas, é evidente a necessidade de inserir também este aspecto na proposta educacional.
Toda pessoa, independente de sua idade, é racional, afetiva, social, física, sensível, espiritual e precisa desenvolver-se como uma unidade, relacionando-se consigo, com os outros, com o mundo e com o transcendente. Então, como esquecer a dimensão religiosa.
A educação pode ser definida nas mais diferentes formas, mas, em se tratando de seu objetivo final, todas as definições convergem para o desenvolvimento pleno do ser humano na sociedade. É aqui que o Ensino Religioso fundamenta a sua natureza, pois o ser humano, para adquirir seu estado de realização integral necessita da dimensão religiosa.
Conhecer as situações assumidas pelo homem religioso, compreender seu universo espiritual é, em suma, fazer avançar o conhecimento geral do ser humano.
O Ensino Religioso, dessa forma, busca valorizar o ser humano e ajuda-o a dar sentido à sua existência e dos textos sagrados das diversas religiões e expressões religiosas.
História:
O Ensino Religioso nas escolas públicas brasileiras desenvolveu-se em três fases:
1- Confessional: Até meados do século XX predominou um Ensino Religioso Católico. Ensinava-se os dogmas e a doutrina da Igreja Católica e rezava-se em sala de aula as mesmas orações que se aprendiam na catequese.
Os conteúdos eram católicos e os professores indicados pela Igreja Católica. Essa fase também era conhecida como “aulas de religião”.
2- Ecumênico: No final da década de 60, motivados pelo espírito ecumênico presente em várias igrejas cristãs, surge um novo estilo de Ensino Religioso, o ecumênico. Ele deixava de ser uma catequese da Igreja Católica para ser conteúdo do Cristianismo. Jesus Cristo passava a ser a referência para as aulas. O Ensino Religioso não acentuava as verdades da fé de uma igreja cristã, mas a valores e a fé comuns às várias igrejas cristãs.
3- Inter-Religioso: Nos anos 90 inicia-se um novo jeito de Ensino Religioso que deixa de ser um ensino orientado por igrejas cristãs, para ser assumido por todas as religiões, tradições e organizações religiosas.
Diálogo Saudável:
Segundo Dora Incontri, as religiões estão presentes em todas as culturas e entre todos os povos de todos os tempos. Assumindo diversas formas de devoção, doutrinas e princípios éticos, elas buscam o sentido da vida e a transcendência em relação à morte. Elas têm suas especificidades, mas também um patamar comum de moralidade e busca humana, onde é possível e urgente um diálogo respeitoso e solidário. O reconhecimento de uma raiz comum é vital para que o diálogo se projete, além de uma conversa cordialmente superficial, para se tornar uma vivência enriquecedora.
O diálogo é a atitude interior que nos predispõe a entrar em contato com a família, com as culturas, com as religiões, com as pessoas.
Talvez essa seja uma das maiores conquistas das religiões de hoje. Com o diálogo, aceitamos a diversidade de caminhos, o respeito à cultura, à religiosidade e o jeito de ser de cada pessoa. A Constituição Brasileira garante a liberdade de culto, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação abre espaço para o ensino religioso inter-confessional (art. 33), para assegurar “o respeito à diversidade religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”.
Dessa maneira, é possível conhecer o universo religioso e descobrir que todas as religiões têm valor. Através de um diálogo saudável, entre as diversas tradições religiosas, as pessoas podem situar-se no mundo de forma muito mais segura e fraterna.
1.1. Ensino Religioso na EJA
O Ensino Religioso deve ser tratado como disciplina do sistema de ensino, cujos conteúdos deverão primar pelo conhecimento religioso que forme consciência e atitudes anteriores a qualquer opção religiosa.
É preciso esclarecer e renovar o conceito de ensino religioso, da sua prática pedagógica, da definição de seus conteúdos, natureza e metodologia adequados ao universo escolar e a realidade dos educandos de EJA.
O Ensino Religioso deve cultivar esperanças naquilo que a escola precisa desenvolver no educando: capacidade de observação, reflexão, criação, discernimento, julgamento, comunicação, convívio, cooperação, decisão e ação frente à realidade da vida.
O Ensino Religioso é portanto, uma questão diretamente ligada à vida, e que vai se refletir no comportamento, no sentido que orienta a sua ética. O discurso do Ensino Religioso deve estar sempre amarrado na experiência cotidiana das comunidades que fazem a história. A dimensão cultural abrange as dimensões materiais, intelectuais e espirituais, e o fenômeno religioso vai se formando e transformando à base de uma contínua experiência histórica.
É claro que o Ensino Religioso não visa adesão ou vigência de conhecimento religioso, enquanto princípios de conduta religiosa e confessional, mas necessita subsidiar o entendimento do fenômeno religioso, com elementos que antecedem à prática religiosa.
É importante lembrar que a sala de aula não deve ser uma comunidade de fé, mas um espaço privilegiado de reflexão sobre limites e superações. Isto implica a necessidade de se construir uma pedagogia que favoreça tal perspectiva, porque o que objetivamos é fruto de uma experiência pessoal, na incansável busca de respostas para as questões existenciais.
É preciso interpenetrar teoria e prática adequando as atividades, textos, linguagem aos educandos de EJA, buscando respeitar suas limitações e histórias de vidas já construídas.
O Ensino Religioso Escolar tem uma linguagem própria:
 Acessível ao educando de EJA, enquanto educando e não enquanto fiel;
 Aberta ao diálogo religioso;
 Questionadora, sem pretender que seja verdade absoluta sobre o tema abordado.
Assim, o objetivo do Ensino Religioso Escolar, destinado aos educandos da escola pública de EJA, é possibilitar ao educando o conhecimento das diversas culturas e tradições religiosas, para maior abertura e compromisso consigo mesmo, com o outro, com forma reflexiva, transformadora e integrada ao contexto do qual faz parte.
(Texto retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso.)
2. Objetivos Gerais:
1º e 2º Segmentos
 Valorizar o direito de cidadania dos indivíduos, dos grupos e dos povos, como condição de efetivo fortalecimento da democracia, respeitando as diferenças e lutando contra as desigualdades.
 Despertar o interesse por um relacionamento positivo com a família e com as pessoas que estão ao seu redor.
 Valorizar as regras que precisamos seguir para viver em harmonia com as pessoas e com a natureza.
 Conscientizar de que não somos nem estamos isolados, mas somos interativos: vivemos, aprendemos e crescemos em relação uns com os outros e com o meio.
 Conscientizar-se de que o convívio com as belezas da natureza e da arte torna as pessoas mais sensíveis e mais cordiais, aproximando-as do Transcendente.
 Conscientizar-se de que o amor é a grande lei que ultrapassa e sintetiza as demais leis.
 Assumir a transformação do meio em que vivemos como tarefa pessoal diária.
 Concluir que as emoções são poderosas energias que tanto podem nos beneficiar como prejudicar, dependendo da maneira como são administradas.
 Refletir sobre a importância de redescobrir autênticos valores que dêem sentido à vida.
 Concluir que a vida humana possui um valor inestimável e que os valores devem ser hierarquizados, tendo em vista a realização plena das pessoas, para consigo mesmo, para com os outros e para com o Transcendente.
 Concluir que para ser, mais humano, mais realizado e mais feliz é necessário conhecer-se e analisar com espírito crítico as influências recebidas no meio em que vive.
 Conscientizar-se da primazia da vida em toda a sua grandeza e dispor-se a protegê-la em qualquer circunstância.
 Concluir que o amor a si mesmo, ao próximo e a Deus constitui a base da realização como pessoa.
 Mostrar como desfrutar de relacionamentos verdadeiramente autênticos, destacados por integridade e comunicação franca torna a vida mais saudável.
 Concluir que a verdade é uma das principais bases em que se fundamenta o convívio humano e, consequentemente, a construção de um mundo melhor.
3. Função
O Ensino Religioso nas escolas de EJA tem a função de garantir a todos os educandos a possibilidade deles estabelecerem diálogo. E, como o conhecimento religioso está no substrato cultural, na perspectiva unificadora que a expressão religiosa tem, de modo próprio e diverso, diante dos desafios e conflitos.
3.1. Metodologia
 Pedagogia de Projetos;
 Projeto de Trabalho;
 Centro de Interesse;
 Tema Gerador.
3.2. Eixos Temáticos
 Origem da vida – visão bíblica e científica;
 Valores / contra-valores;
 Direitos e deveres;
 Fenômeno religioso;
 O Sagrado e o profano;
 O mundo e o Pluralismo religioso;
 Mitos e ritos;
 Vocação / profissão;
 Relacionamento humano;
 Sexualidade / namoro;
 O respeito e a valorização da Vida
3.3. Estratégias e Atividades
 Músicas;
 Dinâmicas;
 Debates;
 Conversa informal;
 Teatro;
 Sarau de poesias;
 Projeção de filmes;
 Trabalhos manuais e artesanais;
 Seminário;
 Textos diversos;
 Palestras;
 Oficinas;
 Exposição de trabalhos;
 Aula expositiva;
 Trabalho em grupo;
 Produção de textos;
 Pesquisa;
 Acrósticos / cartazes;
 Leitura e interpretação de diversos textos: fábulas, reportagens;
3.4. Recursos didáticos
 Quadro e giz;
 Folhas;
 Revistas;
 Livros;
 Dicionários;
 Lápis de cor;
 Livros literários;
 Mapas;
 Globo terrestre;
 Rótulos;
 Panfletos;
 Xerox;
 Som e CDs;
 Fita métrica;
 Cartolinas;
 Papel AG e AP;
 Vídeos de curiosidades;
 Retroprojetor;
 Tintas;
 Pincéis;
 Linhas, lã, tecido
4 - Avaliação
 Diagnóstico escrito ou oral;
 Trabalho individual ou em grupo.
 Observação diária do educando pelo educador;
 Auto-avaliação do educador e do educando;
 Registros dos alunos;
 Prova escrita;
5 – Referências
- Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso. 3.ed. São Paulo. Ave Maria Edições, 1998.
- Proposta Curricular de Ensino Religioso da Rede Municipal de Ipatinga. 1.ed. Ipatinga, 2006;

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